terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Lição de casa

 

"Uma das principais funções da lição é contribuir para a integração e interação entre aluno, professor e família. Por meio dela é possível saber o que está acontecendo na sala de aula, qual o conteúdo que está sendo ministrado, o que está sendo cobrado e qual o grau de dificuldade ou facilidade que o filho está tendo com o tema", esclarece Rose Mary Guimarães Rodrigues, professora do curso de Pedagogia da Unitri (Centro Universitário do Triângulo).

Há também, os aspectos inerentes ao aprendizado que são trabalhados pela lição de casa, como lista a psicóloga especializada em Educação Especial, Danila Coser, ao apresentar os motivos tradicionalmente apontados pelos professores para justificar a tarefa para o lar

- Ajuda a reter o conteúdo apresentado
- Aumenta o entendimento dos temas
- Melhora o pensamento critico
- Desperta para autonomia e responsabilidade
- Colabora para ter uma organização voltada para o estudo
- Provoca a independência de estudar sem estar na sala de aula
Segundo as duas entrevistadas, uma lição de casa bem orientada pode ter três funções diferentes:

10 características da lição de casa ideal

O que deve conter um dever de casa que seja interessante para o aprendizado de seu filho

Foto:
"Para ser efetiva, a tarefa de casa deveria ajudar a desenvolver a autonomia e promover o gosto pela descoberta, pelo conhecimento"

Se você acompanha a lição de casa do seu filho regularmente, parabéns! Está adotando uma das posturas mais estimuladas pelos especialistas para valorizar e contribuir com o aprendizado dele. Mas você já parou para analisar se tarefa que está sendo solicitada é bacana

"Quando se fala em dever de casa, toda atenção é voltada para o aluno, se ele o faz, se responde de forma completa, etc. No entanto, a maior responsabilidade é do professor, pois parte dele o pedido", ressalta Rose Mary Guimarães Rodrigues, docente do curso de Pedagogia da Unitri (Centro Universitário do Triângulo).

Não se trata aqui de verificar o conteúdo proposto ou o nível do exercício passado, mas de ficar atento aos pontos que toda lição de casa, independente da disciplina, série ou metodologia, deve ter para cumprir seu papel.

"Para ser efetiva, a tarefa de casa deveria ajudar a desenvolver a autonomia e promover o gosto pela descoberta, pelo conhecimento", afirma a educadora e psicopedagoga Heloisa Padilha.

O que ocorre, no entanto, é que muitas vezes a criança leva para casa uma extensa lista de exercícios sem, ao menos, entender qual é o objetivo deles. A lição torna-se então um dever sofrido e sem sentido. "Já vi professores pedirem como tarefa que os alunos escrevessem de mil a mil e quinhentos em letra cursiva. Imagine o quão terrível é isso para a criança", exemplifica Fátima Regina Pires de Assis, professora de graduação e pós-graduação do curso de Psicologia da PUC-SP.

Será que a criança entendeu o que tem de fazer? O momento em que a lição é passada, deveria em tese, não ser tumultuado. "Muitas vezes, a lição de casa é passada nos instantes finais da aula, a explicação é dada com o sinal anunciando o término da aula ou com a turma já na expectativa de ir embora, o que prejudica a orientação e até o entendimento", comenta a psicóloga Danila Coser.

Vale a pena aprender a reconhecer uma boa lição de casa. E caso as tarefas de seu filho estejam muito longe do recomendado, o melhor é conversar com professores e coordenadores, sempre com calma e respeito, para entender o porquê.

Veja as características de uma lição de casa ideal, apontadas pelas educadoras mencionadas, que possuem pesquisas e trabalhos sobre o tema:

Não pode ser muita, nem pouca...
O ritmo e o formato das tarefas podem variar de acordo com a disciplina trabalhada, porém é preciso equilíbrio e planejamento entre os professores para evitar que muitas tarefas sejam solicitadas para a mesma data.

Precisa de um porquê
A lição precisa ser passada por um motivo, não só "porque tem de ter lição de casa" e o objetivo deve ficar claro para os alunos. Este é um ponto essencial. Por exemplo: a professora pede aos alunos um mapa da Europa atual quando estão estudando Feudalismo. O ideal é explicar que o objetivo é comparar a divisão do território nestes dois momentos diferentes da História e que fazer o desenho do mapa dará um melhor entendimento.

Seu filho tem de conseguir resolvê-la!
Nada mais frustrante do que ser cobrado de algo que não se tem condições de responder. A lição não pode passar a sensação de ser "difícil" ou "muito complicada" para o aluno. Se seu filho nem souber do que se trata ou não estiver acompanhando, não deixe de falar com o professor ou o orientador.

Ela deve ser clara
Ou seja, qualquer pessoa que ler o exercício vai entender o que está sendo pedido.


Deve ser bem orientada
O professor precisa explicar, em aula, como a tarefa deve ser feita, como ela deverá ser apresentada e em que prazo. Por isso é sempre bom lembrar seu filho de anotar tudo na agenda.


Deve ter relação com o conteúdo dado em aula
O exercício deve ser algo que ajuda a revisar ou ampliar um assunto abordado em sala de aula ou, ainda, prepara o aluno para temas que serão trabalhados na aula seguinte.

Deve ser diversificada
O professor deve explorar os diversos formatos de lição possíveis, como trabalhos em grupos, pesquisas individuais, produção de texto, exercícios de observação, entrevistas, leitura, etc.

Deve ser (preferencialmente) autoral
Uma tarefa autoral é aquela em que cada aluno trará sua resposta, o resultado de sua própria reflexão sobre o tema. Ou seja: não solicita respostas únicas ou prontas.

VOLTA ÀS AULAS

Ansiedade no primeiro dia de aula

A volta às aulas desperta expectativas e até um pouco de medo nas crianças – e também nos pais. Veja como lidar com esses sentimentos.


Foto: É importante que os pais transmitam segurança aos filhos no primeiro dia de aula

Diante do desconhecido de uma nova escola ou da simples mudança de ano, pais e filhos nem sempre conseguem controlar a ansiedade. Será que o meu filho irá se adaptar? A qualidade do ensino será como esperamos? Conseguiremos nos habituar à rotina? Essas são algumas das angústias típicas desse momento de recomeço, mas que podem ser apaziguadas com algumas atitudes.

"Se os pais mantiverem a calma, os filhos também tenderão a se sentir mais serenos", propõe Valéria Tiusso Segre, psicopedagoga de São Paulo, lembrando que o equilíbrio, nesse caso, deve partir dos adultos. "É papel dos pais transmitir carinho e, sobretudo, segurança para os filhos nesse momento", concorda Maria Teresa Messeder Andion, psicopedagoga e mestre em psicologia do desenvolvimento humano, do ensino e da aprendizagem.

A seguir, as especialistas dão algumas orientações básicas de como manter a ansiedade sob controle - e viver um início de ano letivo tranquilo.

Comprar material em família

Levar o filho junto na compra da lista de materiais escolares é uma forma indireta - e divertida, já que ele terá direito de opinar sobre as cores e os formatos de alguns itens - de prepará-lo para as aulas. Deixe-o escolher a mochila e a lancheira.

Entrar no ritmo
A psicopedagoga Valéria recomenda que, duas semanas antes do início das aulas, a criança já comece, aos poucos, a entrar no ritmo da nova rotina: dormir e acordar mais cedo, comer nos horários certos e arrumar o quarto e o espaço para o estudo. Assim não a volta à escola não vira aquela correria de última hora, nem o aluno passa mal de sono nos primeiros dias de volta à escola.

Conversar sobre as novidades
Se os pais já souberem detalhes novos sobre as matérias do ano, a escola ou o método que será adotado, é importante compartilhá-los com a criança em uma conversa franca. "Se a criança for passar de uma metodologia construtivista para uma mais burocrática, no sentido de dar ênfase a provas e notas, os pais têm de expor isso a ela, para evitar o efeito surpresa", ressalta Maria Teresa Messeder Andion. O mesmo vale para o contrário: o método mais lúdico também deve ser esclarecido, para a criança não achar que só vai brincar e não mais estudar. Explique que são maneiras diferentes de aprender - assim a criança já estará munida desse conhecimento para o seu novo início.

Dosar o assunto
"Os pais têm de ficar conscientes para não colocar expectativa demais sobre a criança. Converse sobre a escola, mas não 24 horas por dia", alerta Valéria Tiusso Segre. "A ida às aulas tem de ser vista como qualquer outra questão do dia a dia, uma atividade natural e esperada", completa.

Tirar o fantasma de antigas experiências
Se seu filho já passou por más experiências no último ano ou em outra escola, embora seja aconselhável transmitir sempre uma atitude otimista, não adianta dizer que tudo será diferente desta vez. "É importante que a criança, desde cedo, aprenda a não criar expectativa sobre o outro", orienta a psicopedagoga Valéria. O ideal é conscientizá-lo - não só agora, mas no dia a dia - da diversidade que existe entre as pessoas: os amiguinhos (e os professores) são diferentes da gente, pois vêm de outras famílias e têm outros costumes. Assim, os conflitos são vistos como naturais e nascidos da diferença, não como conspirações.
 

Fonte: Educar para crescer